Infinitamente absurdo
Publicado: Maio 28, 2012 Filed under: Poemas do despertar | Tags: Absurdo, Infinito, Mente Deixe um comentário »É absurdo gostar de ti.
É absurdo esperar por ti.
É absurdo querer-te aqui.
É absurdo, tão absurdo,
Infinitamente absurdo.
E o que mais me chateia,
Nesta história de absurdidade,
É de me sentir impotente
Face às complicações da mente.
Infinitamente absurdo.
Infinitamente.
(Neusa) Ariana Soares (Veloso), inédito
A quoi pense une girl pendant qu’elle se déshabille, de Bertolt Brecht
Publicado: Maio 24, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: Bertolt Brecht, Girl, Servante Deixe um comentário »Mon sort, c’est, sur cette terre à l’envers,
De servir l’art comme la dernière des servantes,
Afin de donner du plaisir aux messieurs.
Mais si vous demandez
Ce que moi, strip-teaseuse, je peux sentir quand je me déshabille
Sous la lumière d’or des projecteurs,
Avec des gestes plein de grace et de malice,
Je réponds: rien.
Il va être minuit. J’arriverai trop tard pour l’autobus.
Le fromage est meilleur dans la boutique d’à côté.
La grosse dit qu’elle va se jeter à l’eau.
Lui, il a un couteau.
La salle à moitié pleine.Un samedi!Aujourd’hui encore, ce sera un coup de minuit.
Sourire d’avantage. L’air qu’on respire ici, c’est un scandale.
Ferma ta gueule là-devant, je te les montrerai. Des loups!
Comment paierai-je mon loyer?…
J’ai oublié aussi de décommander le lait.
Je ne montrerai mes fesses aujourd’hui.
Je dois pourtant me trémousser un peu. Au Chien jaune
La nourriture est si mauvaise qu’on vomit.
Bertolt Brecht, traduit de l’allemand par Gilbert Badia
Retrato, de Cecília Meireles
Publicado: Maio 22, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: Cecília Meireles, Retrato, Rosto Deixe um comentário »Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles
Palavras de prisioneiro (5)
Publicado: Maio 16, 2012 Filed under: Palavras de prisioneiro | Tags: Cadeia, Ponta Delgada, Sofrimento, Sonho Deixe um comentário »Sobre um sonho que me persegue
Mais uma noite passada
De alma atormentada,
O sonho repete-se.
O mesmo sonho
Que me leva ao desespero.
Acordo sobressaltado:
A todas as portas que eu bato,
Por todos os caminhos que percorro,
Todas as pessoas que encontro e a quem peço uma informação,
Todos me viram as costas e de mim fogem…
Por mais que tente, não os consigo alcançar…
E quando as minhas forças chegam ao fim,
Desse tremendo esforço de os tentar agarrar para saber como me ajudar,
Uma cabeça desprovida de carne aparece no meu caminho, espetada no chão,
E eu acordo aos gritos com uma forte dor no meu coração,
A minha alma a transbordar de emoção…
Se alguém disto perceber, me ajude, por favor, a encontrar uma solução
Para aliviar todo este meu sofrimento, minha dor…
José Gaspar, Cadeia de Ponta Delgada, Açores, Ano de 1996
Os Loucos, de António Osório
Publicado: Maio 16, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: António Osório, Louco, Poeta Deixe um comentário »Há vários tipos de louco.
O hitleriano, que barafusta.
O solícito, que dirige o trânsito.
O maníaco fala-só.
O idiota que se baba,
explicado pelo psiquiatra gago.
O legatário de outros,
o que nos governa.
O depressivo que salva
o mundo. Aqueles que o destroem.
E há sempre um
(o mais intratável) que não desiste
e escreve versos.
Não gosto destes loucos.
(Torturados pela escuridão, pela morte?)
Gosto desta velha senhora
que ri, manso, pela rua, de felicidade.
António Osório
Meu fantasma, de Sanio Morgado
Publicado: Maio 13, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: Escrever, Fantasma, Sanio Morgado Deixe um comentário »Antigamente,
quando escrevia, um
fantasma que não via
me dizia todas as coisas.
Hoje, o entendo, leio
seu pensamento e já
não falo nada, escrevo
sempre o que penso.
Mas preciso muito
dele ao pé de mim, pois
sinto medo de perdê-lo e
este encanto chegar ao fim.
Cada vez mais sinto que sou
este fantasma e que um dia, trocarei
o corpo e minha cara pela dele,
que me carrega e ampara.
Sanio Morgado
Traduzir-se, de Ferreira Gullar
Publicado: Maio 11, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: dualidade, Ferreira Gullar, Traduzir Deixe um comentário »
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Elizabeth Gilbert – Sobre nutrir a criatividade
Publicado: Maio 9, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: Criatividade, Elizabeth Gilbert, Escrita Deixe um comentário »“Doing your best is taking the action because you love it, not because you’re expecting a reward.” , Don Miguel Ruiz
5° Mandamento
Publicado: Maio 9, 2012 Filed under: Mandamentos | Tags: Divino, Guerreiro, Mandamento, Vinho Deixe um comentário »Ao fogo lançado pelo barco guerreiro, não lhe lances água, mas vinho, rega-o com o néctar divino.
Neusa Veloso
Como um passarinho, de Olivia Mar
Publicado: Maio 8, 2012 Filed under: Dos outros | Tags: Ninho, Olivia Mar, Pássaro, Pensar Deixe um comentário »Como um passarinho…voei, voei aos céus
Como um passarinho pequenino…caí, caí do ninho
Fiquei magoada, sem penas, ai…quase sem nada!
Queria voltar…ah, voltar!
Mas o tempo não volta e o relógio não anda p’ra trás
E o tempo, o tempo…é a farsa do pensar.
Olivia Mar (http://oliviamar-voz.blogspot.com.br/)